Eleições seguras, fim da corrupção e blockchain: o que tudo isso tem a ver?

Burlar, hackear, invadir a tecnologia por trás do bitcoin é tão difícil quanto transformar um nugget de frango em uma galinha novamente. Foi com essa analogia, um tanto quanto curiosa, que o consultor canadense Don Tapscott, especialista em criptomoeda (dinheiro virtual), resumiu o nível de segurança do blockchain (cadeia de blocos), responsável por tornar possíveis esses tipos de transações na rede.

O sistema de blocos ganhou maior visibilidade depois que o bitcoin alcançou valores impressionantes (chegou a valer US$ 19 mil) e se tornou o dinheiro virtual mais famoso do ano passado. Apesar de tamanha repercussão, para Tapscott, é necessário entender que a “revolução blockchain” vai além do bitcoin (e outros dinheiros virtuais).

Que tal usá-la para combater a corrupção ou para melhorar as eleições? O consultor, que participou nessa quinta-feira (1º) da Campus Party, explica que as muitas camadas de segurança criptografadas são os grandes trunfos do sistema.

Não é uma boa hora para um político ser corrupto, com essa tecnologia

“Você não vai querer colocar nada como o blockchain em seu governo, porque ele vai expor você. O blockchain permite transparência, e é um grande desinfetante [contra a corrupção]. Mas, se você quiser ficar nu, você terá que se fortalecer”, afirmou.

Basicamente, o blockchain funciona como um livro de contabilidade público que registra todas as transações entre usuários. Tudo é protegido por criptografia e qualquer movimentação é possível de ser rastreada (se quiser detalhes de como o blockchain funciona, veja aqui).

A tecnologia também garante a autenticidade de tudo que existe nela. Ou seja, seria possível usá-la no processo eleitoral para impedir que o voto de uma pessoa fosse duplicado. Por essa lógica, possíveis fraudes aqui também seriam difíceis devido a possibilidade de rastreio.

Se você está se perguntando como é que um sistema ligado à internet pode ser capaz de garantir tanta segurança com tantos hackers soltos por aí, o especialista explicou que o que faz a diferença no sistema é que ele é descentralizado. Ou seja, não há um sistema central que se for invadido, tudo se perde.

No blockchain, todas as informações ficam replicadas em milhares de computadores conectados à internet. Para conseguir modificar um dado dentro do blockchain, o usuário precisaria fazer isso em todos os computadores conectados ao sistema.

Segundo Tapscott, a tecnologia consegue verificar e autenticar repetidamente se as informações cadastradas nos blocos são as mesmas de 10 segundos atrás e quem são os autores dessas transações. Com isso, caso exista alguma inconsistência, ela aparecerá para milhares de máquinas conectadas.

Para tornar mais prático o exemplo, o consultor falou sobre o bitcoin. “Se eu te enviar um bitcoin, ele é transmitido para milhões de computadores [dentro do sistema], cada um deles com um alto nível de criptografia. Quando os blocos da transação são fechados, linkando um bloco no outro, acontece a validação”, explicou.

“Para hackear o bitcoin eu teria que hackear não apenas um bloco, mas toda a história do bitcoin”, acrescentou.

Para isso, teriam que ser necessários invadir os milhões de computadores envolvidos no processo. Ou seja, “é algo altamente processado como um nugget de frango. Não dá para pegar e transformá-lo de volta em uma galinha.”

Apesar de seguro, Tapscott não descarta que “um dia” alguém conseguirá invadir o sistema, mas por enquanto é algo distante.

Originalmente publicada em UOL – 02/02/2018

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